Dicas para a Avaliação Formativa

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Certo é aquele professor que se reconhece como mediador da aprendizagem e não transmissor do conhecimento. E é aí mesmo que encontramos o primeiro passo da avaliação formativa.

Portanto, podemos dizer que esse processo amplia seus condutores ativos: professor e aluno, em uma relação de confiança, que partilha o conhecimento e ajustes de sua caminhada para o aprender, pois o professor reavalia a sua prática e o aluno, além de desenvolver as suas habilidades, pode e deve avaliar o seu rendimento, voltando-se para a competência, não visando apenas resultados.

Além disso, nesse contexto há a regulação da aprendizagem e, para que isso ocorra de forma satisfatória, os procedimentos adotados devem estimular a participação dos autores do processo ensino-aprendizagem, reconhecendo que o fim dele não está no boletim, mas sim na evolução de suas competências e habilidades.

Dessa forma, a avaliação formativa também possibilita aos professores acompanhar as aprendizagens dos alunos, ajudando-os no seu percurso escolar, pois ela é fundamentada no diálogo, que tem como objetivo, o reajuste constante do processo de ensino.

Consequentemente, esse tipo de avaliação exige muito envolvimento por parte do professor e disponibilidade de tempo, que vai além do dispensado no momento das aulas, pois entre as atividades previamente propostas, passa a ser necessária a construção de um registro sobre cada aluno e a atualização desse documento, sempre que novos dados surgirem.

Dicas para a Avaliação Formativa

Em decorrência dessa exigência é fundamental planejar diariamente as atividades educativas que serão desenvolvidas pelos alunos e ainda elaborar estratégias individualizadas para as dificuldades pontuais.

Aos poucos, com a experiência que vai sendo adquirida, dá para criar planos de ação que atendem a coletividade, sempre procurando ampliar os conhecimentos daqueles alunos em um estágio mais avançado e também atender aqueles com dificuldades expressas em uma mesma proposta.

Essa condição favorece a partilha de conhecimento e atende questões socioemocionais de grande valia para a aprendizagem, haja vista as devolutivas importantes, refletidas na evolução desse processo de autorregulação dos alunos.

Alunos em avaliação formativa
Por Renata Ferrari | Foto Carlos Rincon | Adaptação web Isis Fonseca

Cuidado com os equívocos na avaliação formativa

Para não cair na mesma armadilha da tradicional avaliação, que traz uma lista de itens com “X”, sem critério significativo e importante para o aluno superar as suas dificuldades, devemos entender que a avaliação formativa não é apenas a observação de condutas procedimentais e atitudinais. Até mesmo porque ela não está a serviço do aluno com dificuldade e nem aponta seu fracasso.

A avaliação formativa deve e tem que ser o acesso para o êxito, respeitando a individualidade e as competências de todos os alunos do grupo. Assim, todos os elementos do grupo-classe têm espaço para revelar o seu conhecimento e partilhar as suas experiências positivas, mas também criar condições para reverter às consequências de uma vivência munida de insatisfação.

Por conseguinte, a avaliação formativa é indispensável para a prática pedagógica atual, pois é nela que mora o verdadeiro sentido da aprendizagem. O professor tem a direção a ser seguida em seu planejamento e a flexibilidade de retomar as dificuldades, a partir da resposta dos alunos, frente à metodologia empregada. Já os alunos têm condições legítimas de considerar os seus conhecimentos como uma construção passo a passo.

Nesse sentido, é evidente que a ação do professor em sala de aula é revertida no pensar o processo e, não mais, simplesmente, no fim em forma de prova. Essa é a principal mudança em nosso exercício: como fazer aprender e não apenas, o quanto aprender.

A urgência na atualização do Professor

É nítido que o investimento do professor na atualização de sua prática é urgente, pois, além de ter que atender uma demanda de grupos fartos em diversidade e, muitas vezes, em quantidade, seus objetivos devem ser pautados de maneira clara e consistente, para proporcionar atividades aos alunos com a qualidade exigida por essa modalidade de avaliação.

Mas para configurar essa nova prática, a disponibilidade do professor vem em primeiro lugar, pois não é mais suficiente uma lista de exercícios de “A a Z”. Não podemos negar que a sistematização é importante, porém também não podemos nos esquecer de que antes dela acontecer, devemos oferecer aos alunos a oportunidade de revelar as suas habilidades, pois somente assim o feedback terá sentido aos discentes.

Logo, o professor deve sinalizar ao aluno a conquista ou necessidade de dedicação a um determinado aspecto trabalhado com propósito, já que ele próprio é o condutor da sua ação e deve valorizar a sua produção – condição primordial para a aprendizagem significativa.

Contudo, esse cenário só será possível se o professor tiver uma postura de desprendimento do comando do tablado em frente ao quadro-negro ou lousa digital. Não importa o tempo, nem o recurso, mas sim a intenção de revelar habilidade junto à turma e não à frente dela.

Adaptado de Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 143

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