Resumo: O pássaro de pluma vermelha e canto maravilhoso é atingido pela flecha de uma donzela apaixonada, transformando-se num belo e forte guerreiro. Porém, um feio e aleijado feiticeiro enciumado, possuidor de uma flauta encantada, através de sua linda música faz com que o jovem desapareça, restando somente sua bela voz na mata. Dificilmente vemos o uirapuru, mas ouvimos com freqüência seu canto inédito. Único do mundo, misteriosa ave de canto lendário, quando o Uirapuru canta, todas as outras aves ao redor se calam e quem ouvir sentirá muita paz.
Poucos dizem ter conseguido ver e ouvi-lo cantando, porém descrevem sua plumagem de formas diferentes, confirmando assim uma Lenda que diz, “quando ele permite que o vejam”, aparece sempre disfarçado para confundir com outras aves.

Você verá neste post:
Teatro da Lenda do UIRAPURU
PERSONAGENS: Índia Oribici, Índia Moema, Pajé, Curumim, Cacique, Tupã, índios da aldeia. Total 12 atores.
CENÁRIO: Aldeia indígena, cestos, arcos, flechas, redes, esteiras pelo chão. Como pano de fundo, um painel de floresta.
SONOPLASTIA: Sons de floresta, som do canto do uirapuru, música: O Uirapuru
FIGURINOS: Roupas de estopa para os índios, capa branca e cocar majestoso para Tupã, arcos, flechas, cocares, cestos de frutas, árvore cenográfica, fantoche de pássaro igual ao Uirapuru.
(Num canto do palco está o pajé, cercado de índios da aldeia. Ouve-se o canto de um pássaro. Todos ficam em silêncio para ouvir o lindo canto. Um curumim se aproxima do pajé)
CURUMIM: Pajé, que pássaro tem esse canto tão bonito?
PAJÉ: É o uirapuru
CURUMIM: Quando ele canta, toda a floresta fica em silêncio.
PAJÉ: Muito bem curumim, ótima observação! Mas existe uma explicação para isso.
CURUMIM: Explicação? Qual é? (Os demais índios se aproximam para ouvir a história)
PAJÉ: Há muito tempo, viviam na aldeia duas índias, que eram muito amigas. Certo dia…
(O pajé já está em pé e sai falando, seguido pelos demais. Sons de floresta. Entram as duas índias conversando)
MOEMA: Amiga, tenho uma coisa para te contar.
OBIRICI: O que é? Conta logo!
MOEMA: É que estou gostando de um jovem, ele é tão simpático, você não faz ideia.
OBIRICI: Não me diga! Mas que coincidência: eu também! Você precisa ver como meu amado é bonito!
MOEMA: Verdade? Mas quem é afinal? Conta, estou curiosa…
OBIRICI: Não posso contar, preciso saber primeiro se ele gosta de mim. Ainda não tenho certeza. Conte você: quem é teu amado?
MOEMA: Também não posso contar. Estou como você. Por enquanto não sei o que ele pensa de mim.
(Saem as duas, conversando sobre o assunto. Aparece o pajé num canto do palco)
PAJÉ: Passaram-se alguns meses e as duas amigas voltam a falar sobre o misterioso rapaz.
(Entram as amigas conversando)
MOEMA: Não sei… acho que ele nem sabe que existo
OBIRICI: Comigo está acontecendo a mesma coisa…
MOEMA: Mas quem é esse rapaz que nem percebe você?
OBIRICI: Não posso contar. Conta você o seu.
MOEMA: Certo, mas depois você promete contar o nome do seu amor?
OBIRICI: Prometo. Pode contar.
MOEMA: É…é…o… Cacique!
OBIRICI: O cacique? Não é possível! Você está brincando…
MOEMA: Por que brincando? Não posso gostar dele? Por que você ficou tão assustada?
OBIRICI: Porque é dele que estou gostando também!
(As duas ficam paradas, olhando uma para a outra)
MOEMA: O que vamos fazer?
OBIRICI: Deixe-me pensar…. Tive uma ideia! Vamos nos separar. É o único modo de saber de qual ele gosta. Se sorrir para você, é de você. Se sorrir para mim, é de mim. Está certo?
MOEMA: Está bem. No fim do dia nos encontramos aqui para conversar.
(Saem em direções diferentes. O cacique entra por um dos lados, arrumando um arco para caçar. Moema entra e passa por perto e ele lhe sorri. Depois é Obirici que passa carregando um cesto de frutas. O cacique também lhe sorri. Ele sai. Algum tempo depois as duas amigas entram para conversar, se posicionando num dos cantos do palco)
MOEMA: Está resolvido. Ele gosta de mim, pois quando nos encontramos ele sorriu.
OBIRICI: Acho que você está enganada, pois foi para mim que ele sorriu.
(Nesse momento elas congelam a cena. Do lado oposto, aparecem alguns índios, entre eles o pajé e o cacique)
PAJÉ: Cacique essas duas jovens gostam do sr. Temos que saber de qual o sr. gosta, pois assim não pode continuar.
CACIQUE: Bem… a verdade é que… é que…(suspense) eu gosto das duas!
TODOS: Oh!!!!!! (Bem exagerado)
PAJÉ: E como vamos resolver isso?
CACIQUE: Já sei. Amanhã iremos todos à floresta. Cada uma das moças levará o arco e a flecha. A que acertar em pleno voo a ave que eu indicar será a escolhida.
(Todos concordam com a proposta. As moças descongelam e se posicionam com o arco e a flecha, rodeadas pelo cacique, pajé e demais índios da aldeia)
CACIQUE: Atirem naquela ave! (Aponta para o céu)
CURUMIM: (sai correndo buscar as flechas, atrás da coxia): Olhem, acertou, essa acertou!
PAJÉ: Mas qual delas? Vamos ver a marca da flecha que acertou! (Confere a marca com as marcas que as moças receberam)
PAJÉ: A flecha que acertou foi a de Moema. Assim, ela se casará com o cacique, conforme o combinado.
(Moema comemora e sai abraçada com o cacique, seguidos pelos demais. Obirici fica sozinha e começa a chorar. Nesse momento pode-se escurecer a cena e clarear várias vezes, dando a impressão do passar dos dias. Obirici continua chorando… chora tanto que Tupã ficou com pena e lhe aparece)
TUPÃ: O que aconteceu minha filha.
OBIRICI: Perdi minha melhor amiga e também o rapaz que amava. Estou sozinha e muito triste.
TUPÃ: Compreendo sua tristeza, mas você perdeu e precisa aceitar a derrota. Saber perder também é uma forma de vitória.
OBIRICI: Estou quase conformada. O que me deixa triste é a saudade que sinto, tanto do cacique como de minha amiga. Ah, se o sr. me transformasse numa ave, eu poderia vê-los, sem que me vissem.
(Num passe de mágica, a índia é transformada num pássaro e voa imediatamente para uma árvore. Para essa cena, pode-se fazer um “esquema” da índia sumir por detrás da árvore e em seguida aparecer um fantoche de pássaro no galho para representar a transformação perto da oca do cacique e da amiga, que passeiam felizes por ali. Depois de algum tempo eles saem de cena. Obirici, em forma de pássaro, vendo a felicidade dos dois, fica mais triste ainda e começa a chorar. Tupã aparece na frente da árvore).
TUPÃ: Para compensar sua tristeza, de agora em diante você será o pássaro Uirapuru. Seu canto será tão bonito que fará esquecer sua tristeza. Quando os outros pássaros ouvirem seu canto, ficarão em silêncio, maravilhados de tanta beleza.
(Sai Tupã. Entra o pajé e o curumim)
CURUMIM: Que história bonita! Então quando a índia está triste, ela canta para espantar sua tristeza?
PAJÉ: Isso mesmo e toda a floresta fica em total silêncio!
(Ouve-se um canto de pássaro – o Uirapuru – o pajé coloca o dedo na boca pedindo silêncio)
PAJÉ: Psiuuuu!! (Voltado para a plateia)
(A cena vai escurecendo lentamente, enquanto se ouve o canto do pássaro)
Nesse momento, um dos atores pode falar sobre as características desse pássaro que são muito interessantes. Após a apresentação dos atores, objetivo do trabalho, professores e disciplinas envolvidas, os alunos poderão terminar cantando a música O UIRAPURU, acompanhados de um violão. Sempre tem um aluno que sabe tocar algum instrumento e fica muito bacana!
Música do Uirapuru
Uirapuru, uirapuru
Seresteiro, cantador do meu sertão
Uirapuru, uirapuru
Tens no canto as mágoas do meu coração
A mata inteira fica muda ao seu cantar
Tudo se cala para ouvir sua canção
Que vai ao céu numa sentida melodia
Vai a Deus em forma triste de oração
Uirapuru, uirapuru…
Se Deus ouvisse o que te sai do coração
Entenderia que é de dor sua canção
E dos seus olhos tanto pranto rolaria
Que daria para salvar o meu sertão
Uirapuru, uirapuru
Seresteiro, cantador do meu sertão
Uirapuru, uirapuru
Tens no canto as mágoas do meu coração






