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Teatro da lenda do Lobisomem

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O LOBISOMEM

PERSONAGENS: Lobisomem, Nhá Lina, Nhá Benta, Irmão, Mãe, Laura, Débora, Marilucia, Chico, Ritinha, Arlindo, Nhô Jerônimo. Total 12 atores.

CENÁRIO: No fundo do palco pode ter um painel com cenas do interior: roças, casas típicas, plantação, etc. Num dos lados, acessórios usados na roça e do outro lado um banco de praça e, mais para o lado, um painel lembrando um cemitério. Na cena final do lobisomem, vai ser necessário colocar uma fachada de túmulo na frente do palco para os atores poderem se esconder.

SONOPLASTIA: Músicas típicas do interior: Luar do Sertão, Beijinho Doce, Cerveja, sons de uivos de lobo, sons de gargalhada horripilante.

FIGURINO: Roupas típicas: calça jeans, camisa xadrez, vestidos de florezinhas, aventais, máscara de lobo. O Jeito de falar dos personagens é típico do interior de Minas Gerais.

teatro lenda lobisomem
Teatro lenda lobisomem

(Abrem-se as cortinas. Música Luar do Sertão. Entra Nhá Lina e Nhá Benta conversando. São já senhoras, com sotaque bem carregado. Usam aventais e lenços na cabeça. São as “vigilantes” do lugar)

NHÁ LINA: Nhá Benta, você já soube da novidade?
NHÁ BENTA: Não, me conte, senão eu moro de curiosidade!!!
LINA: É a Ritinha. Tá namorando o Arlindo!
BENTA: A Ritinha com o Arlindo!!!! Não me diga!!!!! Mas o Arlindo, você sabe, né, dizem que ele… (fazendo mistério)
LINA: Dizem não: é a pura verdade, o danado é lobisomem!!
BENTA: (fazendo o sinal da cruz) Virgem Santíssima acuda!!!

(Saem cochichando sobre o assunto. Do outro lado da cena entra a Mãe e o Irmão de Ritinha)

IRMÃO: Mãe, não tô gostando desse namoro. A senhora sabe o que falam do Arlindo, né?
MÃE: Meu filho, estou tão preocupada. Essa história dele ser lobisomem não sai da minha cabeça. Mas será verdade isso?
IRMÃO: Pelo jeito é. Ele é o sétimo filho homem da família, é amarelo e muito magro e tem uns modos esquisitos, só pode ser.
MÃE: Então vá lá na fazenda onde ele mora e procure saber de tudo.
IRMÃO: É isso mesmo que vou fazer! (Saem. Entram três amigas conversando)

LAURA: E por falar em final de semana, hoje é sexta feira!!
DÉBORA: (canta): “Hoje é sexta feira, traga mais cerveja…”
LAURA: Tive uma ideia: som na caixa DJ! (Música: Cerveja, as duas amigas fazem uma coreografia na frente do palco, enquanto Marilucia olha, desaprovando a dança. Não é necessário fazer a dança da música inteira)

MARILUCIA: Parem com isso! É sério, hoje é dia de lobisomem!
DÉBORA: É…bem que podia aparecer uns homens por aqui, bem bonitos… (fala com malícia)

LAURA: Eita cabeça de vento, só pensa naquilo!!
DÉBORA: E vocês não pensam??? (As outras duas disfarçam. Aparece o irmão da Ritinha)
IRMÃO: Boa tarde, senhoritas, com licença?
DÉBORA (corre para o lado, ergue as mãos para o céu): Aí meu Santo Antônio, muito obrigada!!
LAURA: Bom dia, seu moço, o que o sr. Precisa?
IRMÃO: Quero falar com o Chico, ele está?
MARILUCIA: O Chico das Onças? Ele deve estar lá no pomar trabalhando.
IRMÃO; Obrigado pela informação. Até logo. (Sai, piscando para as meninas)
DÉBORA: Meu Jesus Cristinho, que lindinho!!
LAURA: Tá certo, mas chega dessa conversa. Vamos embora que já está escurecendo!
(Saem. Música Luar do Sertão. Entra Chico com uma enxada no ombro. Senta para descansar. Em seguida, entra o irmão)
CHICO: Oi amigo, quanto tempo que você não aparece!! (Sotaque bem carregado)
IRMÃO: Pois é, muito serviço, a colheita começou e não sobra tempo pra nada. Mas preciso de uma informação: é sobre teu primo Arlindo.
CHICO: Ah! Já sei. Você quer saber se ele é lobisomem, não é? Pois é sim, pode acreditar!
IRMÃO: Meu Deus, e agora? Você sabe que ele tá namorando minha irmão, a Ritinha, né?
CHICO: Já soube. Olha, não sei como vocês vão resolver isso!
IRMÃO: Minha mãe tá muito preocupada. Bem, vou ver o que dá pra fazer! Tchau, Chico, obrigado pela ajuda.

(Sai Chico de um lado e irmão de outro. Algum tempo depois, entra a mãe e o irmão conversando)

IRMÃO: Mãe, é verdade, o Arlindo é mesmo lobisomem, o primo dele confirmou. E agora?
MÃE: Vamos esperar um pouco antes de fazer alguma coisa. Talvez sua irmã desista desse namoro e tudo se resolve, né?
IRMÃO: Tá certo mãe, você é quem sabe. Mas se tiver algum problema me avise, combinado?
MÃE: Obrigada meu filho, tudo vai dar certo, você vai ver.

(Saem. Escure a cena. Música: Beijinho Doce. Aparece Arlindo e Ritinha de mãos dadas, vindos do fundo da plateia. Estão passeando)
ARLINDO: Estou tão feliz namorando você Ritinha. Você é a pessoa mais importante do mundo para mim.
RITINHA: Você também é a pessoa mais importante que eu gosto no mundo! Vamos passear na pracinha um pouco? (Saem andando) Arlindo, já está tarde e andamos tanto que chegamos
perto do cemitério, vamos voltar?

(Arlindo não responde e começa a se agitar de modo estranho. Sai correndo e desaparece na coxia)

RITINHA: Arlindo, que está acontecendo, volte aqui, não me deixe sozinha nesse lugar.

(Ouve-se sons de terror e uivos de lobo. Do mesmo lado que Arlindo saiu aparece o lobisomem e ataca Ritinha. O animal arranca um pedaço da blusa e sai. Ritinha volta correndo para casa.

OBS.: Para essa cena, são necessários dois alunos fisicamente parecidos, ou seja, o que vai fazer o papel do Arlindo e o que vai fazer o papel do lobisomem. Este vai estar com a máscara de lobo e com a roupa igual a do Arlindo. Ao atacar a Ritinha, para haver mais emoção e suspense, é necessário ensaiar a forma do “ataque”, gritos de pavor, etc.

(Outro dia. Entra Ritinha de um lado e Arlindo do outro)

RITINHA: Arlindo, o que deu em você ontem? Largou-me no cemitério sozinha e fui atacada pelo lobisomem.
ARLINDO: Desculpe-me, não sei o que aconteceu, não me lembro de nada.

(Ritinha percebe um fio da blusa nos dentes de Arlindo)

RITINHA: O que é isso? Um pedaço da minha blusa? Arlindo, o que está acontecendo? Você é um lobisomem mesmo?
ARLINDO: Sou, mas não tenho culpa. Ajude-me a quebrar o encantamento, por favor!
RITINHA: Tá certo, meu amor! Vou procurar ajuda, não se preocupe.

(Saem. Ritinha volta, junto com a mãe, chorando)

RITINHA: E agora mãe? O que faço? O Arlindo é lobisomem mesmo!!
MÃE: Pois é. Minha filha, eu já desconfiava. Só tem uma pessoa que pode ajudar. É Nhô Jerônimo. Ele deve saber como desmanchar essa mandinga!
RITINHA: Vou falar com ele.

(Nesse momento, pode-se fechar as cortinas para prepara o cenário de cemitério. Enquanto isso, fora do palco Ritinha vai encontrar Nhô Jerônimo, um preto velho, que está sentado num dos cantos do palco picando fumo)
RITINHA: Boa tarde Nhô Jerônimo, estou precisando de sua ajuda: meu namorado é um lobisomem. Eu gosto muito dele e quero ajudá-lo.
NHÔ JERÔNIMO: A única maneira de desencantar um lobisomem é dar uma picada nele com um espinho de laranjeira que tenha sido plantada numa sexta-feira à meia-noite. Não se preocupe, eu tenho aqui o espinho (tira de dentro do bolso do paletó um grande espinho)
RITINHA: Oh, muito obrigada Nhô Jerônimo!
NHÔ JERÔNIMO: Só que para dar certo, a picada tem que ser na hora em que o lobisomem começa a se transformar novamente em homem. E como você deve saber, isso só acontece no cemitério, na madrugada de sexta-feira. Precisa ter coragem.
RITINHA: Vou com meu irmão.
NHÔ JERÔNIMO: Não, não, você tem que ir sozinha, senão o encantamento não quebrará.
RITINHA: Meu Deus, me dê coragem. Mais uma vez obrigada.
(Ritinha sai. Abrem-se as cortinas com o cenário do cemitério. Ritinha chega e fica esperando Arlindo chegar. Está nervosa e com medo)
RITINHA: Já estou aqui há horas. Não aguento mais.
(Sons de uivos, aparece o lobisomem. Ele ataca Ritinha algumas vezes e, de repente começa a rolar no chão. Vai rolando até atrás de um túmulo. Ritinha vai atrás e acerta o espinho. O lobisomem solta um grito horrível. Alguns segundos depois, sai Arlindo, meu tonto)

OBS.: Nesta cena usa-se a mesma estratégia dos dois atores vestidos iguais, um de Arlindo e outro de lobisomem. Quando o lobisomem vai para detrás do túmulo, Arlindo já está lá, esperando para entrar em cena.

RITINHA: Meu amor, deu certo. O encantamento acabou!
ARLINDO: Como você conseguiu? Há tantos anos que sofro por isso!
RITINHA: Nhô Jerônimo me ajudou e ensinou como fazer. Agora podemos nos casar!
ARLINDO: Sim meu amor. E seremos felizes para sempre.

(Música: Beijinho Doce. Saem abraçados. Fecham-se as cortinas. Entra Nhá Lina e Nhá Benta, com roupas diferentes e ficam na frente do palco)

LINA: Pois é Benta, há quanto tempo isso aconteceu?
BENTA: Ah! Já tem uns 15 anos, né?
LINA: Ouvi dizer que eles têm uma penca de filhos!
BENTA: A Ritinha já pariu seis meninos e tá esperando mais um…
LINA: Meu Jesus, essa história não acabou não, vem mais coisa por aí…
BENTA: É verdade, vem mais coisa por aí…

(Fazem o sinal da cruz e saem. Apagam-se todas as luzes e ouve-se uma risada horripilante).

Após alguns momentos, acendem-se as luzes, todos os atores voltam para a frente do palco e podem se apresentar com o nome e o papel que fizeram, os professores envolvidos, falar sobre o objetivo do trabalho, o sentido das lendas, etc. Música final bem alegre.

(Adaptação Profª Maribel)

Outros teatros sobre o Folclore:

Uirapuru – Teatro da Lenda do Guaraná – TEATRO O NEGRINHO DO PASTOREIO

 

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