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TEATRO – O NEGRINHO DO PASTOREIO

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TEATRO – O NEGRINHO DO PASTOREIO

PERSONAGENS: Negrinho, fazendeiro, vizinho, filho, capangas 1/2/3, locutor, multidão. Total 12 atores.

CENÁRIO: De um lado do palco, painel de uma pradaria, algumas pedras e árvore cenográfica.
Do outro lado, objetos que caracterizam uma fazenda: cordas, arreios, laços, chapéus pendurados, selas, pelegos, chicote, saquinho com moedas, pequeno castiçal com uma vela.

SONOPLASTIA: som de berrante, som de cavalo correndo, som de relinchos de cavalos, som de cavalos galopando, som de tiro de largada, música gaúcha bem alegre, música Ave Maria tradicional, música triste instrumental.

FIGURINOS: Trajes gaúchos, camisa xadrez, calça jeans, vestidos compridos, chicote, chapéus, lenços, roupa surrada para o Negrinho.

(Som de berrante. Entra o fazendeiro e o vizinho conversando)

VIZINHO: E então, vamos fazer aquela corrida que você prometeu? Não se preocupe, haverá
apostas. Quem ganhar sairá com um bom dinheiro.
FAZENDEIRO: Já que você insiste, vamos logo marcar essa corrida. É claro que meu cavalo é melhor, você vai ver.
VIZINHO: Combinado. Prepare o seu cavalo e nos encontramos daqui a um mês para tirar logo essa cisma.

(Se despedem e o vizinho sai. O fazendeiro chama o Negrinho)

FAZENDEIRO: Negrinho, Negrinho, vem cá. Ande logo preguiçoso!
NEGRINHO: Sim sr. Patrão.
FAZENDEIRO: Haverá uma corrida e você vai montar meu cavalo baio, o melhor da fazenda. Mas eu te aviso: se perder a corrida, vai se arrepender.

(Entra o filho do fazendeiro, zombando)

FILHO: Meu pai, como o sr. pode confiar nesse negro, que nem nome tem? Ele não sabe de nada, só vai dar problemas.
FAZENDEIRO: Vamos ver, se der problemas, vai receber o castigo que merece.

(Saem. Em seguida, música gaúcha de festa, bem alegre. As pessoas vão chegando para a corrida. O locutor anuncia)

LOCUTOR: É hoje a grande corrida: Baio versus Tostado. Vai ser emocionante. Cavaleiros se preparem para a largada.

(Nesse momento, pode-se fazer um “paredão” de pessoas na frente do palco, voltadas para o fundo, como se estivessem vendo uma corrida, “escondendo” os cavaleiros. Dividem-se em duas torcidas, com gritos e aplausos quando os cavalos são anunciados. Som de tiro de largada. Relinchos e galope de cavalos. De repente as pessoas soltam um som de lamento, pois  o Negrinho “caiu” do cavalo e perde a corrida, mas isso não aparece, é subentendido. Logo depois a multidão vai saindo, ficando em cena o fazendeiro, o filho e o vizinho)

VIZINHO: Viu como meu cavalo é melhor? Ganhei a corrida e agora vou fazer uma grande festa em minha casa.

(O fazendeiro, muito contrariado, entrega um saco de moedas para o vizinho, que sai todo feliz)

FAZENDEIRO: Esse Negrinho me paga. Ele vai se arrepender.

FILHO: Eu falei, pai. Ele merece morrer!
FAZENDEIRO: Vou ensinar esse Negrinho a não me desobedecer. Negrinho! Negrinho! (Chama várias vezes)
NEGRINHO: Sim, sr. Patrão (está com muito medo)
FAZENDEIRO: Ajoelha, agora vou te dar uma lição.

(Pega um chicote e começa a bater no Negrinho, que grita desesperado. O filho fica dando risadas)

NEGRINHO: Não, por favor, não me bata, não fiz por querer.
(Fica estendido no chão, todo machucado)

FAZENDEIRO: Isso é para aprender. E como castigo, vai ficar um mês dormindo no pasto, tomando conta dos trinta cavalos de raça da fazenda.

(Saem todos. Escure a cena. Entra o filho e olha para dentro da coxia, como se estivesse vendo os cavalos no pasto e o Negrinho trabalhando. De repente, sons de relincho e galope de cavalos fugindo)

FILHO: Eu sabia… eu sabia que esse Negrinho só daria problemas. Os cavalos que ele estava cuidando fugiram enquanto o vagabundo dormia. Ah, meu pai não vai gostar de saber disso!

(Entra o fazendeiro pelo lado oposto a essa cena. O filho vai ao encontro dele)

FILHO: Pai, acabei de chegar do pasto e o Negrinho simplesmente deixou escapar todos os cavalos enquanto dormia.
FAZENDEIRO: Não é possível! Agora ele vai ver o que é bom para a tosse. Capangas, capangas, tragam o moleque (entram os três capangas, carregando o Negrinho) então você não criou vergonha na cara hein? Foi pouca a surra que levou, não foi?

(O fazendeiro começa a surrar o garoto. Ele grita e chora. Fica caído no chão)

FAZENDEIRO: Agora vá procurar os cavalos que fugiram e traga todos antes do amanhecer.

(Todos saem, menos o Negrinho. Começa a andar pelo palco, procurando um toco de vela.
Acende e começa a caminhar como se estivesse procurando os cavalos. Música Ave Maria. A cena está escura, mas conforme vai caminhando, a luz vai aumentando. Ele gesticula como se estivesse recolhendo os cavalos novamente no pasto. Ele fica feliz e sai. Entra o filho do fazendeiro e olha na direção que o Negrinho levou os cavalos)

FILHO: Como é que ele achou todos os cavalos no escuro? Até parecia que tinha luz no pasto! Mas tudo bem. Vou soltar os cavalos de novo e dizer ao meu pai que ele dormiu no serviço. Daí é mais uma boa surra!

(Sai na direção do pasto, atrás da coxia. Ouve-se sons de cavalos relinchando e galopando. Algum tempo depois, entra o fazendeiro e olha na direção do pasto – atrás da coxia)

FAZENDEIRO: Ah, mas o que é isso? Os cavalos fugiram de novo? Negrinho malandro, tá difícil de aprender. Capangas, capangas (entram os três) tragam o moleque!

(Voltam arrastando o moleque. Se afastam para o fundo do palco)

FAZENDEIRO: Pelo jeito não adianta ser bondoso com você, né?

NEGRINHO: Por favor, sinhô, não me bata, não tive culpa.

FAZENDEIRO: Não teve culpa? Não teve é cuidado. Dormiu e deixou os cavalos fugirem duas vezes!

(Entra o filho) – FILHO: Isso pai. Esse moleque precisa aprender. Não tenha pena não!

(O fazendeiro começa a bater. Surra tanto o menino que ele desmaia. Chama os capangas)

FAZENDEIRO: Peguem esse infeliz e joguem-no em cima do formigueiro que tem atrás da cocheira do cavalo baio.
FILHO: Boa pai, ele vai ter o fim que merece!

(Os capangas pegam o corpo e saem de cena. Música triste. Voltam com o chapéu na mão, cabisbaixos e ficam em frente à plateia)

CAPANGA 1: Coitadinho do menino. Tão bom e trabalhador.
CAPANGA 2: Sabia cuidar bem dos animais, especialmente dos cavalos!
CAPANGA 3: Não merecia tanta maldade, não merecia morrer daquele jeito.

(Saem. Alguns momentos depois, música bem alegre. Todos os atores voltam, menos o fazendeiro, o filho e o Negrinho. Ficam de frente para a plateia. Estão felizes e animados)

CAPANGA 1: Não se preocupem: o Negrinho foi para o céu. Ah, tem outra coisa: se vocês perderem algum objeto, é só pedir ao Negrinho do Pastoreio que ele ajuda a encontrar.

CAPANGA 2: Dizem que o Negrinho galopa pelas nuvens, junto com o cavalo baio e uma vez por ano, vem visitar as formigas que se tornaram duas amigas.

CAPANGA 3: E assim termina essa história, acontecida há muitos anos…

(Música gaúcha bem animada. Os atores começam uma dança tradicional gaúcha)

Quando terminam a dança, os atores se apresentam à plateia, dizendo seu nome e o papel que fizeram na peça. É interessante explicar que se trata de uma lenda, mas que existe um contexto histórico quanto ao tratamento que os escravos recebiam antigamente, a questão do poder econômico, enfim, pode haver um pequeno debate sobre o assunto.

Outra atividade, mais leve e, talvez, que chame mais a atenção, é levar uma pessoa para mostrar como são os  passos das danças gaúchas e seus diversos tipos. Enfim, a partir dessa peça, abre-se um leque de possibilidades para atividades construtivas e enriquecedoras.

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