Projeto História da Vila Madalena por alunos do 3º Ano

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Confira o Projeto História da Vila Madalena por alunos do 3º Ano, realizado no Colégio Oswald de Andrade, em São Paulo. Um projeto que pode ser realizado em outros bairros, outras cidades.

Foram três meses de intensa atividade para que professores do Colégio Oswald de Andrade, em sua unidade na região Oeste de São Paulo (SP), executassem com os alunos, de forma interdisciplinar, um projeto que possibilitasse o reconhecimento do entorno da escola e da história do local.

A partir dessa proposta, o surgimento, a expansão e o dia a dia da famosa Vila Madalena, onde o colégio se situa, foram minuciosamente explorados por estudantes do ensino fundamental, que reuniram uma série de informações e produções, posteriormente utilizada na produção de um vídeo com a linha do tempo do bairro.

As crianças desenvolveram um amplo trabalho de campo (pesquisaram notícias, colheram depoimentos, observaram construções e intervenções urbanas). Com esse levantamento foi possível conhecer as diferentes atividades econômicas exercidas na região, entre as diversas formas de ocupação do espaço existentes (serviços, comércios e moradias), e as diversas instituições envolvidas na manutenção do bairro (ONGs, governo, empresas, população etc.).

A atividade artística possibilitada e expressa em espaços públicos e estabelecimentos da vila também foi cuidadosamente observada. Desenhos, pinturas e textos, além do roteiro do vídeo, foram elaborados, envolvendo as disciplinas de Geografia, História, Língua Portuguesa e linguagens artísticas.

Isso até que tudo pudesse ser reunido, organizado e editado, com a ajuda dos professores, e convertido para a linguagem audiovisual. O resultado foi publicado no YouTube, no canal da escola.

Encaminhamentos do projeto A história da Vila Madalena

Para executar o projeto A história da Vila Madalena contada por nós, assim intitulado pelos professores do Oswald, os educadores envolvidos começaram pela sensibilização sobre o tema, partindo da pergunta “o que é um bairro?” “do que um bairro precisa?”. O objetivo não era encontrar respostas certas, mas fazer refletir, um marco para a conceituação do objeto de estudo e fio condutor das produções.

Outro marco importante é o trabalho de campo, que aqui se deu com uma conversa prévia sobre o objetivo da atividade, visando à produção de um vídeo com a linha do tempo da região.

Nesse bate-papo falou-se sobre todas as etapas envolvidas: do trabalho de campo em si, com pesquisa em registros escritos e visuais (fotos antigas do bairro), realização de entrevistas, passeios de reconhecimento e fotos pelos alunos, até a organização dos dados levantados. Diversas perguntas foram lançadas, cujas respostas orientaram a ordem das ações envolvidas nessa atividade.

Na tomada de depoimentos pelos alunos, os educadores sugerem entrevistar um historiador (que conheça a fundo a região, preferencialmente) e crianças do bairro, cuja visão do local poderá ser bem compreendida e explorada pelos estudantes, praticamente da mesma idade dos entrevistados.

No caso da Vila Madalena, durante os passeios de reconhecimento e as pesquisas históricas, foi bastante explorada a parte artística e cultural do bairro – o perfil boêmio e musical, a vocação intelectual e artística da população, a existência de escola de samba representando a região, escadões e muros decorados com pinturas, mosaicos, grafite, como o conhecido Beco do Batman, entre outras possibilidades locais.

Essas características devem ser muito bem exploradas no bairro escolhido, no âmbito das aulas de Artes (lembrando que o projeto, pelo seu caráter interdisciplinar, pode ter sua execução com etapas e/ou temas pertinentes capitaneados por professores de disciplinas distintas).

Feito o trabalho de campo, os professores devem orientar os alunos sobre a organização do material/informações obtidos, dividindo os alunos em grupos de interesse [aqui a redação sugere que a divisão desses grupos ocorra conforme as várias etapas da linha do tempo proposta – surgimento do bairro, expansão, anos 1950, 60, 70… até os dias atuais, por exemplo – ou a partir de temas-chave que marcam a história da região: surgimento do bairro, marcos culturais/sociais, atividade econômica exercida].

Diversas produções podem ser solicitadas [também segundo a divisão de interesses] e integradas ao vídeo, assim como foi feito aos alunos do Oswald, podem ser desenvolvidas como materiais complementares ou redundantes ao trabalho de campo [desenhos que orientem geograficamente pontos mais conhecidos do bairro, por exemplo, trabalhando-se a noção de mapas e de perspectiva e diversas técnicas e suportes.

Registros comparativos de uma mesma rua, evidenciando diferentes épocas – o famigerado “antes” e “depois” aplicado à evolução do bairro –, são outras  sugestões de produção, também envolvendo diferentes suportes e técnicas, como desenhos, pinturas e colagens, por exemplo.

Pode-se, ainda, brincar com previsões sobre o visual do bairro, o tipo de comércio e moradores que ocuparão o local no futuro, levando-se em conta a tendência cultural observada na região – sugestões da redação].

Para fixar/reforçar conteúdos e habilidades que colaborem no cumprimento dos objetivos propostos, vale ainda lançar mão de produções que não necessariamente entrem no vídeo, masque ajudem a enriquecer a sua composição,  favorecendo o processo criativo.

A edição deve ser orientada pelos educadores e a avaliação final do trabalho deve levar em conta não só o resultado (a estética e o conteúdo apresentados no vídeo) como o desempenho do grupo em cada etapa e/ou tema que desenvolveu, bem como o cumprimento dos objetivos propostos para o projeto.

No Oswald o trabalho foi realizado unindo-se duas turmas do terceiro ano. A redação sugere ampliar a atividade, envolvendo diversas turmas de uma mesma série em etapas distintas, ou até mesmo distribuir etapas do projeto entre diversas séries do fundamental, estendendo-se o prazo para finalização do projeto para além de um trimestre, levando-se em conta os conteúdos planejados para o período nas disciplinas envolvidas. São inúmeras as possibilidades que o educador, inspirado na ação do colégio paulistano, pode experimentar em sua sala de aula.

Veja o vídeo!

** Adaptado de Revista Arte Educa – Ensino Fundamental Ed. 09

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