A influência do ambiente no desenvolvimento do TDAH

A escola deve criar ambientes favoráveis ao desenvolvimento dos alunos para evitar transtornos de comportamento e doenças mentais.

Há um debate aberto sobre a existência ou não do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Alguns profissionais questionam se este transtorno não foi inventado, talvez por interesses econômicos ou corporativos.

Mas no ambiente médico, não há dúvidas. O transtorno já está incorporado nos manuais médicos, com critérios definidos para diagnóstico e terapias para tratamento. Talvez a questão central então esteja em entender o desenvolvimento desta doença.

O TDAH é um transtorno associado à causas genéticas e ambientais. Geralmente aparece na infância e acompanha o indivíduo por toda a sua vida, com sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

Diversas pesquisas realizadas para entender melhor as causas do transtornos indicam que o TDAH não está formado por um só gene, e sim pela combinação de vários que provocam um aumento do risco de sofrer com a doença.

Não se sabe ao certo o número de genes e variantes que possam determinar a gravidade do transtorno, mas sabe-se que o ambiente é fundamental. Num entorno bem estruturado, com pautas e limites, e com consciência das dificuldades e propostas de solução, o TDAH é controlado e não afeta a vida da pessoa.

Segundo um estudo publicado em 2012 pela Associação Médica do Canadá, com quase um milhão de crianças do país, 3% receberam medicamento para o tratamento do TDAH, com o metilfenidato. Este número é similar a outros países, como por exemplo, a Alemanha e a Dinamarca.

Entre estas crianças diagnosticadas e tratadas, grande parte havia nascido em dezembro. De fato, o dobro de chance se comparadas com as crianças nascidas em janeiro. Segundo Fernando Lozada, da revista Educação, a questão ambiental pode ser fator determinante neste sentido. As crianças mais novas da classe podem sentir maiores desafios em relação ao processo de amadurecimento, criando transtorno para elas.

A escola deve buscar pensar ambientes favoráveis ao bem-estar psicológico dos alunos, evitando o desenvolvimento deste e de outros transtornos.

Recomendações para o ensino de alunos com TDAH

Conhecida pela sigla TDAH, o Transtorno por déficit de atenção com hiperatividade é definido como distúrbio de neurodesenvolvimento e se caracteriza por atitudes impulsivas, desatenção e hiperatividade. Desde a década de 1970 que profissionais da área da saúde vêm trabalhando para classificar, diagnosticar e propor tratamentos para o TDAH, mas o tema ainda está no foco de debate devido às controvérsias que suscita.

A influência do ambiente no desenvolvimento do TDAH
A influência do ambiente no desenvolvimento do TDAH

O professor espanhol, Rafael Guerrero, diretor do centro de psicologia Darwin Psicólogos e especialista no tema, escreveu um livro dedicado a analisar a realidade das crianças com TDAHe as famílias. Ele sugere formas de trabalhar com alunos diagnosticados com o distúrbio para aumentar a capacidade de atenção.

Para ajudar as crianças, ele recomenda antes de tudo o apoio desde uma perspectiva incondicional. “Muitos pais manifestam o apoio e amor aos seus filhos em função dos logros acadêmicos. Isso é uma barbaridade”, afirma. Para o psicólogo, é importante que estas crianças se sintam aceitadas pelo seu entorno, especialmente pela família, pelos professores e pelos amigos.

Para trabalhar com estas crianças em sala de aula, os professores deveriam ter uma formação adequada, que motivem e permitam que possam trabalhar com as ferramentas mais apropriadas.

Por exemplo, Rafael Guerrero explica que para trabalhar a atenção podem ser usadas várias atividades que estimulem a concentração, a desinibição, o planejamento, a memória operativa, entre outros.

Estas podem ser:

  • palavras cruzadas,
  • 7 diferenças entre duas imagens,
  • buscar letras numa folha cheia de palavras,
  • Outros.

Além disso, os professores podem adotar algumas metodologias que combinem o pensamento crítico com a aprendizagem cooperativa, por exemplo, através de projetos, para oferecer ao aluno possibilidade de atuar nas aulas.

“Está demonstrado que o cérebro aprende em movimento, mas nas salas de aula não deixamos os nossos alunos moverem das cadeiras”, disse.

Ele destaca também que muitas vezes as escolas exigem das crianças mais do que elas podem dar, por própria limitação da idade. “Não tem nenhum sentido obrigar os alunos a prestarem atenção em mim. Sou eu que primeiro tenho que fazer com que me escutem”, explica.

Por outro lado, o psicólogo ressalta a importância de ter cuidados com o uso das novas tecnologias que muitas vezes estimulam e motivam ainda mais os jovens diagnosticados com TDAH. Para evitar comportamentos intolerantes ou ansiosos, a principal recomendação é ter cautela.

Fonte: Funiber

Leia também:

Veja também!

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.