10 Jogos e Brincadeiras Africanas para crianças

10 Jogos e Brincadeiras Africanas para crianças

Aprenda 10 jogos e brincadeiras africanas para trabalhar com seus alunos no mês da consciência Negra ou em todo o ano letivo.

Hoje em dia, as crianças vivem conectadas ao celular. Mas em nossa época, brincadeiras divertidas existiam sem o uso da tecnologia. muitas dessas brincadeiras são oriundas dos povos africanos. Conheça 10 jogos e brincadeiras africanas para crianças. Muitas delas você nem imaginava…

A partir da implementação da Lei Federal 10.639, o currículo da Educação Básica passou a conter a temática africana e afro-brasileira como conteúdo obrigatório, abordando a história e cultura destes. Novembro é considerado o mês da Consciência Negra, sendo, dia 20 data de comemoração da Consciência Negra que coincide com o aniversário da morte de Zumbi dos Palmares (1655-1695), líder do Quilombo dos Palmares, no período colonial brasileiro. Contextualizando: No passado e no presente, as manifestações culturais representam uma forma de resistência. Para os escravizados, preservar a língua, as músicas, as histórias e a religião trazidas da África significava não aceitar passivamente sua condição. Hoje, os movimentos negros utilizam a cultura também como uma demarcação de sua identidade e, por consequência, de sua luta. Apesar disso, muitas de suas manifestações não são conhecidas da maior parte da população.

1 – Brincadeira Kakopi (Uganda)

kakopi

Todos os que irão participar da brincadeira, com exceção do líder, sentam-se em uma linha reta ou em circulo com suas pernas estendidas e cantam. Enquanto estão cantando o líder aponta para cada uma das pernas das crianças. Quando a música acaba o líder está apontando para a perna de uma criança, esta deve dobrar a perna. Quando ambas as pernas de uma criança devem ser dobradas ela está fora. O último a ficar com uma perna estendida ganha. Podemos usar músicas animadas do cancioneiro afro-brasileiro para dar mais ritmo a brincadeira.

2 – Bao (Mancala) – Jogo de tabuleiro

Bao é um jogo de tabuleiro tradicional de Mancala, jogado na maior parte da África Oriental, incluindo o Quênia, Tanzânia, Comores, Malawi, bem como algumas áreas da República Democrática do Congo e Burundi. É o mais popular entre o povo suaíli da Tanzânia e do Quênia, o próprio nome “Bao” é a palavra suaíli para “board” ou “jogo de tabuleiro”. Na Tanzânia, Zanzibar e, especialmente, um “bao mestre” (chamado bingwa, “mestre”, mas também fundi, “artista”) é realizada em alto respeito. No Malawi, uma variante próxima do jogo é conhecido como Bawo, que é o equivalente do nome Yao suaíli.

Bao é bem conhecido por ser um mancala de destaque em termos de complexidade e profundidade estratégica, e tem despertado o interesse de estudiosos de várias disciplinas, incluindo a teoria dos jogos, teoria da complexidade, e psicologia. Torneios oficiais são realizados na Tanzânia, Zanzibar, Lamu (Quênia), e do Malawi, e ambos continente Tanzânia e Zanzibar têm suas sociedades de Bao, como o cha Chama Bao fundada em 1966.

Em Zanzibar e Tanzânia existem duas versões de Bao. A versão principal, que é também a mais complexa e mais apreciada, é chamado Bao la kiswahili (“Bao do povo suaíli”). A versão simplificada é chamado Bao la kujifunza (“Bao para principiantes”). Há uma variedade de outros mancalas toda a África Oriental (e parte do Médio Oriente) que estão relacionados com Bao. Um deles é o jogo Hawalis de Omã, que também é conhecido em Zanzibar, onde atende pelo nome “Bao la kiarabu” (“Bao dos árabes”). Outro parente maior de Bao é Omweso (jogado em Uganda), que emprega um equipamento semelhante a Bao, e tem algumas regras semelhantes.

O Bao é um dos mancalas que exigem um nível mais avançado de conhecimento das estratégias de jogo, até por que seu tabuleiro possui um número maior de cavidades, sendo seu tabuleiro composto por 32 cavidades.

Regras do Bao

Tal como acontece com a maioria dos jogos tradicionais, as regras de Bao foram apenas preservado pela tradição oral, e, como conseqüência, estão sujeitos a variações locais. A transcrição mais influente das regras é devido ao jogo de tabuleiro estudioso Alex de Voogt, que escreveu entre 1991 e 1995 com base nos ensinamentos dos mestres de Zanzibar Bao.
Em Bao la Kiswahili, cada jogador coloca inicialmente 6 sementes no Nyumba, e dois mais sementes nos dois poços imediatamente à direita do Nyumba. Todas as sementes restantes se mantenham “em mão”. No Malawi, 8 sementes são colocadas na Nyumba. Assim, cada jogador tem respectivamente 22 ou 20 sementes em mão no início do jogo. Estas sementes são introduzidos no jogo de uma primeira fase de peça chamada a fase de Namua.

Em Bao la kujifunza, todas as sementes são colocadas na inicialização, dois por cova. Jogadores assim não têm sementes em mãos, e, portanto, não há fase Namua.

Você também pode jogar o Bao Online clicando AQUI – linguagem do jogo em Inglês ou alemão.

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3 – Jogo de tabuleiro “Kalah Mancala”

É um jogo derivado do Mancala. O jogo africano Mancala vem de longa data, cerca de 7.000 anos, e, ao que tudo indica, é o “pai” dos jogos. Sua provável origem encontra-se no continente africano, mais precisamente no Egito. Seus tabuleiros mais antigos foram encontrados em escavações da cidade síria de Aleppo, no templo Karnak (Egito) e no Theseum (Atenas). Do vale do Nilo, espalhou-se por toda a África e todo o oriente. Atualmente é jogado em todos os continentes e difundido através de seus apreciadores e de educadores, em escolas e universidades.

Mancala é um jogo de estratégia relacionado à semeadura. Tem origem na palavra árabe nagaala que significa “mover”. Simula o ato de semear, a germinação das sementes na terra, o desenvolvimento e a colheita. O movimento das sementes pelo tabuleiro era associado ao movimento celeste das estrelas, e o próprio tabuleiro simbolizava o Arco Sagrado.
Em seus primórdios, o Mancala tinha um sentido mágico, relacionado aos ritos sagrados. Em alguns lugares, as partidas eram reservadas apenas aos homens ou sacerdotes. Aliás, segundo estudos antropológicos, até hoje o Mancala africano é jogado predominantemente por homens, enquanto o Mancala asiático é jogado principalmente por mulheres e crianças.
Hoje em dia, na maioria dos países, o Mancala perdeu o caráter mágico e religioso. Entretanto os Alladians, da Costa do Marfim, conservam o sentido religioso e acreditam que só é possível jogar o Mancala à luz do sol. À noite, eles oferecem os tabuleiros aos Deuses para que joguem. Uma prova da importância desse jogo para os Alladians é a necessidade de uma partida de Mancala entre os concorrentes ao trono para que seja escolhido o sucessor do rei.
Um fato interessante é que o jogo de búzios, associado ao candomblé, é derivado do Mancala.
Além do valor histórico, o Mancala oferece forte potencial de aprendizado, uma vez que é um jogo que exige muita agilidade de pensamento para se fazer boas jogadas. Pode-se dizer que algumas variantes do jogo Mancala são mais complexas do que o Xadrez, uma vez que a configuração do tabuleiro é atualizada a cada jogada.

O objetivo do jogo é obter o maior número de sementes do adversário.

Regras:

1. distribuem-se 3 ou 4 sementes em cada uma das 12 cavidades (exceto nos oásis, as cavidades que ficam nas duas extremidades);

2. o território de cada jogador é formado pelas 6 casas da fileira à sua frente, acrescido do oásis à direita (somente utilizado pelo proprietário);

3. o jogador pega todas as sementes de uma de suas casas e distribui uma a uma nas casas subsequentes, em sentido anti-horário;

4. o jogador deverá colocar uma semente em seu oásis toda vez que passar por ele e continuar a distribuição, sem colocar, no entanto, nenhuma semente no oásis adversário;

5. todas as vezes que a última semente “parar” numa casa vazia pertencente ao jogador, ele pode “comer” todas as sementes que estiverem na casa adversária em frente, colocando-as todas (a sua mais as sementes da casa do adversário) em seu oásis;

6. ao terminar a distribuição das sementes (“semeadura”), o jogador passa a vez, exceto quando a última semente distribuída for colocada no seu próprio oásis. Nesse caso, ele deve jogar de novo, escolhendo uma nova casa (do seu próprio campo) para esvaziar;

7. o jogo termina quando todas as casas de um dos lados estiverem vazias e o jogador da vez não tiver mais nenhuma casa com um número suficiente para alcançar o outro lado;

8. Vence quem tiver maior número de sementes em seu oásis (as sementes restantes no tabuleiro poderão ou não entrar na contagem).

Para jogar Mancala online CLIQUE AQUI

Você pode criar o tabuleiro de mancala artesanalmente para que seus alunos joguem.

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Os tabuleiros de Mancala podem ser feitos tal como eram produzidos originariamente, ou com materiais alternativos, como: argila, madeira, MDF, papelão, E.V.A., caixa de ovo e sucatas em geral. As cavidades do tabuleiro podem ser feitas com fundo de garrafa Pet, para as divisórias das cavidades, pode-se utilizar papelão ou amarração de bambu, etc. Invente a sua versão de tabuleiro!

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Amarelinha Africana

4 – Amarelinha Africana

A origem do jogo Amarelinha Africana  remonta a antiguidade. A amarelinha , descendente do ”Jogo dos Odres” dos romanos e ”Ascólias” dos gregos é um jogo presente em varias regiões do mundo. No Brasil é conhecida por vários outros nomes entre eles :

  • Academia , Cademia , ou marelinha no Rio de Janeiro;
  • Maré em Minas Gerais;
  • Avião no Rio Grande do Norte;
  • Pular macaco na Bahia & no Pará;
  • Sapata no Rio Grande do Sul.

Em outros países encontramos os seguintes nomes :

Jogo da macaca , pular (jogar ) macaca , pé coxinho ou jogo-do-homem em Portugal . Avião ou Neca em Moçambique . Cuadrillo , infernáculo , reina mora ou pata coja na Espanha.
E muitos outros nomes , de culturas diferentes!

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A Amarelinha Africana, diferente da nossa tradicional amarelinha, não usa uma pedrinha, céu ou inferno e seu formato é diferente. Não é uma brincadeira de competição, não há perdedores, e utiliza música. É necessário o número exato de quatro participantes que têm que executar a coreografia de forma simétrica e ao mesmo tempo, por isso a necessidade de uma música. Na África existe festivais dessa amarelinha , cada grupo cria a sua coreografia e escolhe a música.

5 – PICULA OU PEGA-PEGA

Esse jogo é chamado na Bahia com um nome em Iorubá-Picula. Grupo escolhe quem vai ser o pegador, os participantes correm livremente enquanto o pagador tenta pegá-lo. Quando isso acontece, quem foi pego é o próximo pegador.

6 – BARRA MANTEIGA

O grupo deve ser dividido em dois. Traçar uma linha com mais ou menos 5 metros de distância uma da outra. Os dois grupos posicionam-se atrás da linha. Todos devem estar colocados com a palma da mão para cima, os braços dobrados na altura da cintura. O jogador bate nas mãos dos jogadores adversários levemente, até que escolhe um e bate mais firmemente e corre para sua linha. O jogador escolhido deve persegui-lo na tentativa de pegá-lo, entretanto não pode ultrapassar a linha do adversário. À medida que os jogadores forem sendo pegos, vão sendo aprisionados no time oposto, ganha quem aprisionar um número maior de adversários.

7 – CHICOTINHO QUEIMADO

Jogo de roda e corrida onde circula um chicotinho que é arremessado nas pernas de quem perde o jogo. Como a brincadeira é a crônica da vida, presume- se que essa brincadeira de alguma forma é alusiva ao castigo atribuído aos escravos. O que caracteriza a brincadeira africana é a forma livre de brincar.

8 – ESCRAVOS DE JÓ

É uma brincadeira de roda guiada por uma cantiga bem conhecida, cuja letra pode mudar de região para região. Para brincar, é preciso no mínimo duas pessoas. Todos têm suas pedrinhas e no começo elas são transferidas entre os participantes, seguindo a sequência da roda. Depois, quando os versos dizem “Tira, põe, deixa ficar!”, todas seguem a orientação da música. No verso “Guerreiros com guerreiros”, a transferência das pedrinhas é retomada, até chegar ao trecho “zigue, zigue, zá!”, quando os participantes movimentam as pedras que estão em mãos para um lado e para o outro, sem entregá- las a ninguém. O jogador que erra os movimentos é eliminado da brincadeira, até que surja um único vencedor.

9 – PULAR CORDA

Preferida pelas crianças, tanto na versão tradicional quando nas versões diferenciadas em que a brincadeira é guiada por alguma cantiga. Além de ser divertida para o lazer, é uma atividade excelente para exercitar o coração e a coordenação motora. Pode ser praticada tanto individualmente quanto em grupo, quando duas pessoas seguram as pontas das cordas e movimenta o instrumento para que um ou mais participantes possam pular. Quem esbarrar na corda sai da brincadeira. Ou simplesmente perde, e continua!

10 – PULAR ELÁSTICO

Para brincar de pular elástico, basta separar pelo menos 2 metros de elástico de roupa e dar um nó. É necessário no mínimo 3 participantes: duas para segurar o elástico e outra para pular. As duas crianças que vão segurar o elástico ficam em pé, frente a frente, e colocam o elástico em volta dos tornozelos para formar um retângulo. Daí, o participante da vez faz uma sequência de saltos: pula para dentro, sobre e para fora do elástico, tentando completar a tarefa sem tropeçar. O grau de dificuldade aumenta ao longo da disputa: o elástico ainda deve subir do tornozelo para o joelho, cintura, tronco e pescoço. Dependendo da altura das crianças, o jogo vai ficando impraticável, mas é o desafio que estimula a brincadeira!